Conheça um pouco mais sobre o teor alcoólico
das cervejas
O
álcool na cerveja é resultado do processo de fermentação. Ele é produzido pelas
leveduras, que transformam os açúcares fermentáveis em álcool e gás
carbônico, entre outros compostos. Quanto maior o teor alcoólico desejado,
maior será a quantidade de açúcares que precisaremos disponibilizar para as
leveduras no mosto cervejeiro. Ou seja, será necessário aumentar a quantidade
de matéria prima utilizada e, por este motivo, sempre as cervejas mais
alcoólicas serão as mais caras.
A
graduação alcoólica é afetada por todo processo cervejeiro, do grau em
que os açúcares são convertidos em álcool, ao uso de açúcares e
adjuntos, até os tipos de leveduras e temperaturas de fermentação, entre outras
variáveis. Vale lembrar ainda que as leveduras possuem um limite de
tolerância ao álcool e a partir de determinada concentração, já não conseguem
mais produzí-lo (brincamos dizendo que elas se embriagam no próprio álcool e
deixam de trabalhar). As leveduras Lager (baixa fermentação), são
as mais sensíveis e não conseguem alcançar índices muito elevados. Dentre os
rótulos mais alcoólicos desta família, está a licorosa e acalentada Eggenberg
Samichlaus, produzida uma única vez ao ano e citada no Guinness Book of
Records como a cerveja Lager mais forte do mundo, com seus 14% de
álcool. Já as leveduras Ales (alta fermentação), são mais
resistentes e podem produzir cervejas efetivamente potentes.
Em
relação ao serviço, a dica é simples: quanto mais alcoólica for a cerveja, mais
elevada será a sua temperatura de serviço e menor será o tamanho da taça
(afinal bebe-se em menor quantidade). Se pensarmos bem, é muito similar ao
mundo dos vinhos, onde os espumantes e brancos são servidos gelados, os tintos
em temperaturas de cave e os fortificados em temperatura ambiente. Ou seja,
quanto mais suave for a cerveja, mais gelada ela deve ser servida, por seu
apelo de refrescância e consumo em maior volume. Já as versões mais alcóolicas,
que dão aquela gostosa sensação de calor e aconchego, pedem temperaturas mais
elevadas. Por exemplo: enquanto uma Pilsen é servida entre 3 e 6º C, uma
Strong Ale deve ser servida acima de 8º C. E, para acabar com
qualquer preconceito, afinal temos o hábito de servir cervejas estupidamente
geladas, basta fazer o teste na prática. Sirva uma cerveja robusta muito
gelada, experimente-a e depois deixe que ela ganhe temperatura no copo e volte
a prová-la. Você perceberá como sua complexidade aromática e sabor, passam a
ser melhor percebidos quando a cerveja alcança a temperatura adequada.
No
caso da harmonização gastronômica, o álcool é um dos elementos (além do
amargor, acidez e carbonatação), que ajudam a limpar a gordura da boca e
prepará-la para a próxima garfada. Portanto, quanto mais potente for o prato,
mais intensa deverá ser a cerveja escolhida para acompanhá-lo. Por este motivo,
cervejas mais alcoólicas são pares ideais para carnes e pratos mais gordurosos,
queijos complexos e ainda balanceiam a doçura, acompanhando muito bem as
sobremesas. Também são excelentes para substituir o licor no final da refeição,
sendo consumidas em pequenas taças, como um digestivo.
Créditos: Tatiana Spogis - Gerente de Marketing & Treinamentos da Bier &
Wein Importadora
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